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Memória começa a mudar a partir dos 40 16/03/2009

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"Nós somos as memórias que possuímos", define Iván Izquierdo, 71, neurocientista da PUC-RS que conseguiu reconhecimento mundial pesquisando como um cérebro normal evolui ao longo do envelhecimento.

A conservação desse patrimônio, que confere identidade única a cada indivíduo, é um dos maiores desafios atuais da ciência. Quanto mais a medicina prolonga a vida das pessoas, mais elas estão sujeitas ao surgimento de demências na terceira idade, como Alzheimer ou problemas vasculares cerebrais que afetam a memória e para os quais os medicamentos ainda são pouco eficazes.
 
Num levantamento em São Paulo, a prevalência do mal de Alzheimer em 2008 foi estimada em mais de 7% da população acima de 60 anos. Como a porcentagem de idosos tende a aumentar, o número de casos na população geral pode dobrar ou até quadruplicar até 2040, afirma Lea Grinberg, do Grupo de Estudo do Envelhecimento Cerebral, da Faculdade de Medicina da USP.

"O grande fator de risco para essas doenças é fazer aniversário", afirma Grinberg. A partir dos 65 anos, diz ela, o risco de desenvolver demência dobra a cada cinco anos.
 
O foco do grupo de pesquisadores da USP é o estudo de mecanismos cerebrais que ainda não são bem conhecidos, para tentar diferenciar o que é realmente doença do que é a perda natural provocada pelo envelhecimento.

Como explica Izquierdo, da PUC, não é na terceira idade, mas a partir dos 40 anos que a memória começa a ficar menos consistente. Nessa época, o cérebro dá uma virada no modo de consolidar e gerenciar a memória, privilegiando a concentração das lembranças mais importantes. Ou seja, algum grau de esquecimento é sintoma de mudança no perfil da memória, e não necessariamente perda cognitiva.


Autor: Eduardo Geraque e Rafael Garcia
Veículo: Folha de S. Paulo